O pronome oblíquo átono pode ser colocado antes (próclise), no meio (mesóclise) ou depois do verbo (ênclise). A esse fenômeno linguístico chamamos “colocação pronominal”.

Quando usar a próclise?

Quando usar a mesóclise?

Usamos a mesóclise quando o verbo está conjugado no futuro do presente ou no futuro do pretérito, desde que não haja termo anterior que atraia o pronome:

Amar-se-á como nunca amou ninguém.

Amar-se-ia se acreditasse em si mesmo.

Dir-lhe-ei toda a verdade.

A verdade? Di-la-ia se pudesse.

Dar-nos-emos um grande presente.

Dar-vos-ia um grande presente.

Mas se houver um termo que atraia o pronome, fica assim:

Amanhã lhe direi toda a verdade.

Quando usar a ênclise?

Colocação pronominal e as locuções verbais

O pronome pode ser colocado antes ou depois da locução verbal, já que segue as mesmas regras de uso da próclise e da ênclise:

Jamais o tinha mencionado.

Estava amando-a muitíssimo.

E pode também ocorrer a mesóclise, caso o verbo auxiliar esteja no futuro do presente ou no futuro do pretérito:

Ter-me-ia feito de bobo se você não impedisse.

No entanto, o pronome nunca pode aparecer depois de um verbo no particípio:

Haviam considerado–o morto. [INCORRETO!]

Nesse caso, já que não há termo anterior que atraia o pronome, a melhor opção é colocar esse pronome após o verbo auxiliar:

Haviam-no considerado morto.

Aliás, a tendência no Brasil é colocar o pronome no meio da locução verbal, independentemente das regras de colocação:

Não soube como ele tinha se comportado até me contarem.

OU

Não soube como ele tinha-se comportado até me contarem.

Por fim, é preciso mencionar que, se houver termo anterior que atraia o pronome, o uso da próclise ou da ênclise é facultativo:

Não me deixou de visitar.

OU

Não deixou de visitar-me.

Apesar de as regras da gramática normativa valerem tanto para Portugal quanto para o Brasil, há diferenças na prática. Enquanto os portugueses parecem apreciar a ênclise, nós brasileiros somos fãs da próclise. Portanto, há uma tendência no português brasileiro de usar a próclise, mesmo que isso contrarie regras gramaticais.

Isso pode ser observado na fala e também em textos jornalísticos e literários contemporâneos. Afinal, a ênclise, no Brasil, tem um caráter não só excessivamente formal, mas também pedante. Já a mesóclise, está totalmente em desuso.

Referências

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999.

Artigo escrito por: Warley Matias de Souza.